quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Resp. ao comentário do texto "As dúvidas de um país"

Cara amiga Ana Rita,

De acordo com o seu comentário, deduzo que esperava da minha intervenção mais do que uma apreciação genérica ao estado político social e económico do país. Permita-me que de certa forma concorde consigo. De facto, não é difícil fazer a radiografia actual do país, enumerar as medidas erradas deste Governo surge de forma empírica, são perceptíveis a todos. Contudo, é dever, a quem cumpre responsabilidade política, propor soluções que de forma prática permitam melhorar a vida dos portugueses. E esse é nosso dever.

De facto, o país Interior, nomeadamente no século XIX, viveu sempre bastantes dificuldades em termos comparativos com o Litoral. Esta realidade desesperante fez com que muitas famílias portuguesas fossem impelidas a emigrar, ganhar a vida trabalhando fora do país não era seguramente o desejado mas era para estas uma necessidade premente. A classe empobrecida era dominante e as preocupações sociais do Estado eram praticamente inexistentes. Portugal era um país atrasado. Só nos anos que seguiram 1985 é que Portugal iniciou um processo de modernização, integrou a União Europeia em 1986, iniciou processos de privatização em áreas anteriormente vedadas à iniciativa privada nomeadamente no sector bancário e das telecomunicações, mas foi durante os anos 90 que Portugal viu a sua economia crescer acima da média europeia, o que permitiu que Portugal crescesse e desenvolvesse uma importante rede de comunicações terrestres, que serviu para unir Portugal e a Europa.
Com um passado predominantemente virado para a agricultura, a economia via-se agora virada para a indústria e serviços. Ou seja, as oportunidades de emprego foram alteradas. O desenvolvimento económico em Portugal não respeitou a realidade do Interior e concentrou-se no Litoral. Verdade seja dita que grande parte dessa indústria necessita da proximidade com os portos marítimos, contudo, poder-se-ia ter incentivado o desenvolvimento de outras áreas industriais no Interior de Portugal para bem do nosso próprio desenvolvimento.

Em resposta à Ana Rita, diria que, não é fácil falar de emprego, muito menos de diminuição do desemprego. Esta realidade é fruto de uma crise económica e o crescimento económico não traz, por si só, a criação de postos de trabalho. Só a existência de factores de estabilidade económica é que poderão garantir o aumento do emprego em Portugal. Essa estabilidade só se consegue com a confiança dos investidores na economia, com incentivos claros ao desenvolvimento e com competitividade fiscal, nomeadamente, com a redução dos impostos. Nesta matéria, dizer que, não há redução de impostos possíveis, no contexto actual, se não houver uma redução clara na despesa do Estado, reduzir os impostos sem pensar nas suas consequências é um erro que nos poderá sair muito caro. Por isso, é preciso um Governo com objectivos claros e que diga a verdade ao país. Mudar Portugal é uma tarefa de todos.

Para terminar, dizer que o Interior tem que definir a sua natureza económica, se quer apostar na indústria da madeira ou nos serviços. Na verdade, temos que saber o que é importante para o Interior, não podemos olvidar que a nossa economia cada vez mais se prende com o turismo, isso impõe que concertemos esforços no sentido de desenvolver este sector económico que muitos postos de trabalho têm gerado no nosso distrito. Outra garantia de qualidade e de confiança para os investidores é o nível de formação de quem contratam. A aposta no ensino profissional é fundamental nos nossos dias, a mão de obra tem que ser qualificada e experiente. Até nesta matéria o Governo comete erros, existe já hoje uma rede de escolas profissionais que carecem de apoio, é um ensino paralelo e querer implementá-lo no ensino secundário não é reconhecer a importância da sua natureza específica.
Criando procura, o Interior criará seguramente emprego.


Talvez a regionalização seja solução!… sugiro um debate sobre esta matéria.
Aqui vai uma dica… não fará melhor sentido que cada região discuta e defenda as suas prioridades? ou será preferível deixar que Lisboa continue a decidir o que é melhor para o Norte, Interior e Sul do país?

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